
No 5º episódio do Conexão Conceito, programa do Grupo Conceito que conecta informação técnica e estratégia para quem toma decisões no campo, o tema central foi um dos pontos mais sensíveis do agronegócio atual: como financiar a safra e proteger a rentabilidade em um cenário de crédito restrito e alta volatilidade de mercado. A conversa reuniu Luiz Sarzedas, Supervisor de Crédito e Cobrança do Grupo Conceito, e Guilherme Martins, consultor de gerenciamento de riscos pela StoneX, para explicar por que o barter tem se consolidado como uma importante ferramenta de mitigação de risco no agro.
Nos últimos anos, o mercado agrícola passou a conviver com oscilações cada vez mais rápidas, influenciadas por fatores como variações cambiais, conflitos geopolíticos e mudanças no cenário econômico global. Nesse ambiente, produzir bem continua sendo essencial, mas gerenciar o risco de mercado passou a ser parte fundamental da estratégia do produtor.
De acordo com Luiz Sarzedas, o crescimento do barter está diretamente ligado ao cenário atual de crédito no campo.
“Hoje a palavra do momento é escassez de crédito. O crédito bancário ficou mais restrito e mais caro para o produtor, e é justamente nesse cenário que o barter aparece como uma ferramenta estratégica.”
No modelo de barter, o produtor negocia insumos em troca de parte da produção futura. Dessa forma, ele consegue estruturar o custo da safra sem depender exclusivamente de financiamento bancário, além de criar maior previsibilidade financeira para o negócio.
Outro ponto destacado na conversa é a velocidade com que o mercado passou a reagir a eventos externos. Segundo Guilherme Martins, a volatilidade atual exige uma postura mais estratégica na comercialização.
“O mercado mudou muito. Hoje não é mais só plantar, colher e esperar o preço. O produtor depende cada vez mais da porteira para fora, e essa porteira para fora é extremamente volátil.”
Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas sobre preço e passa a focar na margem do negócio. Quando o produtor consegue travar parte dos custos da produção, ele reduz sua exposição às oscilações de mercado e ganha mais segurança para tomar decisões ao longo da safra.
“Com o custo travado, o produtor dorme em paz. O mercado pode subir ou cair, mas ele sabe que está protegido”, destacou Guilherme.
Ao final do episódio, os especialistas reforçaram que o uso de ferramentas de gestão de risco tende a se tornar cada vez mais comum no agro. Em um mercado dinâmico e competitivo, travar custos, acompanhar o mercado e tomar decisões estruturadas de comercialização são passos importantes para promover a sustentabilidade do negócio rural.


